sábado, 21 de maio de 2016

Behind Bule Eyes

Foto: Olhos azuis
Autor: Marcelo Gonçalves

No one knows what it's like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes
And no one knows
What it's like to be hated
To be fated to telling only lies
Trecho da Música "Behind Blue Eyes" - The Who



Window to nowhere


Foto: Antiga estação ferroviária de Maracaju
Autor: Marcelo Gonçalves 

"No doubts!
You’re the result of the chances you take
Face the circumstance!
Have you become who you wished to be?
Resigning to what you loved and cared
There’s no way out!
Memories will come to remind you some day
How it could have been
Through every door you will step in
Another choice you’re stuck between
Don’t look back. Just make your way ahead
A window to nowhere
The void in which I stare
Now that I’ve come so far where do I go from here?..."
Trecho de "Window to nowhere" - Angra

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Ausência...

Foto: Ponte em Praça - Maracaju - MS
Autor: Marcelo Gonçalves
Um lugar comum ou inspiração para o olhar. Nascer para ser ferramenta, etapa, travessia. Para ver chegar e ver ir...E se pudesse falar, sentiria a ausência do que foi? 


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

O POETA ESQUECIDO

Foto: Estátua de Mateus - Igreja Matriz de Rolândia - PR
Autor: Marcelo Gonçalves

Com seu olhar perdido, absorto em pensamentos indecifráveis, a estátua contempla a Cidade, as pessoas, o movimento...Nada pensa, mas convida ao pensar.
E por um breve momento enxergo o poeta... e me lembro dos versos:


"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração."
Fernando Pessoa

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Um convite à verdade



Foto: Close da Capela - Maracaju-MS
Autor: Marcello Gonçalves
VERDADE

A porta da verdade estava aberta, 
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os dois meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram a um lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos. 
Era dividida em duas metades,
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
As duas eram totalmente belas.
Mas carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE